Elas já representam 42% das pessoas que empreendem em Mato Grosso do Sul e estão à frente de quase metade das empresas do Estado, com forte atuação no comércio, na agropecuária e nos serviços, segundo dados do Observatório da Cidadania, iniciativa da UFMS em parceria com a Secretaria de Estado da Cidadania. Mas, mesmo com esse avanço, ainda enfrentam desafios práticos e estruturais na ocupação e consolidação desses espaços. Confira cinco barreiras que o empreendedorismo feminino vence todos os dias.
1. A jornada dupla (equilíbrio entre gestão e vida pessoal)
Conciliar empresa, casa, família e vida pessoal ainda é uma das maiores barreiras enfrentadas por mulheres empreendedoras. A sobrecarga é real e exige organização constante.
O Observatório da Cidadania mostra que 50,58% dos domicílios do Estado têm mulheres como chefes de família, reforçando a responsabilidade feminina no sustento e na organização do lar.
Na prática, isso exige priorização. Definir tarefas essenciais do dia, organizar a rotina com base no que gera resultado e estabelecer limites claros são atitudes que ajudam a tornar essa jornada mais sustentável.
2. A síndrome da impostora (reconhecer a própria competência)
Muitas mulheres, mesmo com resultados concretos, ainda duvidam da própria capacidade. A chamada “síndrome da impostora” pode travar decisões importantes e limitar o crescimento do negócio.
Uma forma de enfrentar isso é revisitar conquistas já alcançadas, registrar resultados e reconhecer o próprio esforço. Você não chegou até aqui por acaso. Existe competência, preparo e muito trabalho por trás de cada avanço.
3. Acesso ao mercado (ocupando novos espaços)
Em muitos segmentos, principalmente aqueles historicamente dominados por homens, a presença feminina ainda enfrenta resistência.
Ainda assim, os dados mostram avanço. Hoje, 171.825 empresas em Mato Grosso do Sul são comandadas por mulheres, o que representa 44,9% do total. Esse movimento fortalece a diversidade no mercado e amplia oportunidades.
Buscar capacitação, fortalecer redes de contato e se posicionar com segurança são atitudes que ajudam a consolidar essa presença e abrir caminho para outras.
4. Inovação constante (adaptar-se ao digital)
O mercado muda rápido e acompanhar essa transformação é essencial. Para muitas empreendedoras, a digitalização do negócio ainda é um desafio, seja por falta de tempo, conhecimento ou recursos.
Hoje, o físico e o digital caminham juntos. Investir em presença online, redes sociais, atendimento digital e ferramentas simples de gestão pode fazer toda a diferença para manter a competitividade e alcançar novos clientes.
5. Liderança com propósito (negócios que geram impacto)
Muitas mulheres empreendem não apenas por oportunidade, mas também por propósito. Negócios liderados por mulheres costumam carregar valores como impacto social, cuidado com pessoas e responsabilidade.
Transformar esse propósito em estratégia é um diferencial. Comunicar esses valores de forma clara ajuda a atrair clientes que se identificam com marcas mais conscientes e fortalece o posicionamento no mercado.
Empreender também é resistir e transformar
Os números mostram o crescimento do empreendedorismo feminino, mas são as histórias por trás deles que revelam sua verdadeira força. Superar barreiras todos os dias faz parte da jornada, mas também é o que constrói negócios mais resilientes, inovadores e conectados com a realidade.
Valorizar essas trajetórias é reconhecer que o avanço das mulheres no empreendedorismo não é apenas uma tendência, mas um movimento que transforma o mercado e a sociedade.