A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), revela que 70,1% das famílias de Campo Grande estavam endividadas em janeiro de 2026, percentual superior ao registrado em dezembro do ano passado (68,6%). Em números absolutos, isso representa 246.050 famílias com algum tipo de dívida no município.
O levantamento evidencia uma diferença expressiva entre as faixas de renda. Entre as famílias que recebem até 10 salários mínimos, o nível de endividamento chega a 72,5%, enquanto entre aquelas com renda acima de 10 salários mínimos, o percentual é menor, de 58,2%. Além disso, quase 42% das famílias de maior renda declararam não possuir dívidas, índice bem superior ao observado na faixa de menor renda (27,5%).
Segundo a economista do Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento da Fecomércio MS (IPF/MS), Regiane Dedé de Oliveira, os dados mostram que o endividamento segue avançando, mas com impactos distintos conforme o perfil de renda. “O aumento do endividamento em Campo Grande reflete um cenário de maior pressão sobre o orçamento das famílias, especialmente daquelas com renda de até 10 salários mínimos, que têm menor capacidade de absorver choques como juros elevados e aumento do custo de vida”, analisa.
Outro dado que chama atenção é a dificuldade de regularização das dívidas. A pesquisa aponta que 12,5% das famílias da Capital não terão condições de pagar as contas em atraso no próximo mês, o equivalente a 43.890 famílias. Entre aquelas com renda de até 10 salários mínimos, o índice é quase três vezes maior: 14,5%, enquanto nas famílias com renda superior a 10 salários mínimos esse percentual cai para 5,1%.
O cartão de crédito segue como o principal tipo de endividamento, presente em 69,2% dos lares endividados, independentemente da faixa de renda. No entanto, o comprometimento da renda mostra contrastes importantes: entre as famílias com renda acima de 10 salários mínimos, 28,1% comprometem mais de 50% do orçamento mensal com dívidas, proporção significativamente maior do que a observada entre as famílias de menor renda (13%).
Confira a pesquisa na íntegra:
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