A Intenção de Consumo das Famílias (ICF) de Campo Grande alcançou 108,7 pontos em outubro, mantendo-se em patamar de satisfação e acima da média nacional, que ficou em 103,4 pontos. Apesar da leve retração de 0,7% em relação a setembro, o indicador segue 3,3% superior ao registrado no mesmo período do ano passado, quando marcou 105,2 pontos. Os dados são da pesquisa realizada pela CNC, em parceria com a Fecomércio MS e Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento Fecomércio MS (IPF-MS).
O resultado demonstra que as famílias campo-grandenses continuam mais confiantes do que a média dos brasileiros, mantendo um nível de otimismo relativamente estável ao longo de 2026. Entretanto, a pesquisa aponta uma diferença cada vez maior entre os grupos de renda.
Entre as famílias com renda superior a 10 salários mínimos, o índice atingiu 130,8 pontos, com crescimento de 0,6% no mês e de 13,1% em comparação com outubro de 2025. Já entre as famílias com renda de até 10 salários mínimos, o índice recuou 1%, chegando a 104,4 pontos, acumulando avanço anual de apenas 1,2%. A distância entre os dois grupos passou de 12,4 pontos para 26,4 pontos em um ano.
Para o presidente do Sistema Comércio MS, Juliano Wertheimer, os números revelam um cenário positivo para a economia local, mas que exige atenção para o comportamento das diferentes faixas de consumidores.
“Campo Grande mantém um nível de confiança acima da média nacional e isso é um fator importante para o comércio. O mercado de trabalho continua sustentando esse otimismo, mas a pesquisa mostra que a recuperação não ocorre da mesma forma para todas as famílias. O desafio está em criar condições para que o consumo avance de maneira mais ampla, especialmente entre aqueles que têm maior sensibilidade ao crédito e aos custos de financiamento.”
O mercado de trabalho permanece como o principal fator de sustentação da confiança do consumidor. O componente Emprego Atual registrou 141,7 pontos, o maior entre todos os indicadores avaliados. Mais da metade dos entrevistados (54,6%) afirma sentir-se mais segura em relação ao emprego do que há um ano.
Por outro lado, alguns indicadores relacionados à renda e ao consumo apresentaram dificuldades. A Perspectiva Profissional caiu 1,7% no mês, enquanto a Renda Atual recuou 0,6%. Entre os consumidores, 47,3% consideram que a renda permanece igual à do ano passado.
O acesso ao crédito também continua sendo um desafio. Apesar da alta mensal de 1,5%, o indicador permaneceu abaixo da linha de satisfação, com 95,4 pontos. Entre as famílias com renda de até 10 salários mínimos, o índice ficou ainda menor, em 91,7 pontos. Mais pessoas consideram que conseguir crédito está mais difícil (23,7%) do que mais fácil (19,1%).
Segundo a economista do IPF-MS, Regiane Dedé, o emprego continua garantindo estabilidade ao índice, mas o impacto no consumo ainda é limitado.
“Os resultados mostram que existe uma percepção positiva em relação ao emprego, mas isso não está se transformando na mesma intensidade em aumento da renda e do consumo, principalmente entre as famílias de menor renda. A ampliação da diferença entre as faixas de renda indica que a confiança está concentrada nos consumidores com maior poder aquisitivo, enquanto a maior parte das famílias ainda enfrenta restrições relacionadas ao orçamento e ao crédito.”
O consumo atual continua em terreno de insatisfação. O indicador de Nível de Consumo Atual avançou 1,8%, chegando a 89,4 pontos, mas permanece abaixo da linha dos 100 pontos. O levantamento mostra que 35,5% das famílias estão comprando menos do que há um ano. Entre aquelas com renda de até 10 salários mínimos, esse percentual sobe para 39%.
Outro destaque foi a queda de 5,6% no indicador Momento para Compra de Duráveis, que fechou outubro em 91,9 pontos. Atualmente, 47,8% das famílias consideram que é um momento ruim para adquirir bens como eletrodomésticos, eletrônicos e outros produtos de maior valor. A percepção negativa atingiu inclusive os consumidores de renda mais elevada, sugerindo que os custos do financiamento continuam pesando na decisão de compra.
Para os próximos meses, a Perspectiva de Consumo permaneceu estável, em 100,4 pontos. No entanto, novamente há diferenças entre os grupos de renda: enquanto as famílias de maior renda demonstram intenção de ampliar os gastos, aquelas com renda de até 10 salários mínimos seguem mais cautelosas.
Com a proximidade da Black Friday e das vendas de fim de ano, a expectativa é positiva para o comércio de Campo Grande. A combinação entre mercado de trabalho aquecido e confiança acima da média nacional tende a favorecer as vendas, sobretudo em segmentos voltados ao público de maior poder aquisitivo e em operações que ofereçam condições atrativas de pagamento.